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8 anos desde que o mercado mordeu a nova maçã

iVolution

Fazem uns bons 10 anos que me iniciei no mundo do áudio digital. Antes deles, pouco se ouvia nos computadores. Eram blips, tóins, tums (das mensagens de erro), um arpejo aqui, uns efeitos acolá. Daí apareceram as gravadoras de CD nas quais se podia copiar, a baixíssima velocidade, os arquivos WAV para o computador e gravar num CD virgem. E eram caros os CD’s cabaço (como todo bom cabaço deveria ser).

Daí veio a revolução numa sigla: MP3. Eu só sabia que eram arquivos de música que faziam caber cerca de 700 minutos num CD, mas com um porém: só tocavam no computador. Ou seja, servia basicamente pra fazer back-up, aqueles discos de segurança. Em paralelo, o VHS dava seus últimos suspiros. A novidade era o DVD, com imagem mais limpa, som de CD e uma série de avanços incríveis com relação às fitas agora destinadas ao mofo. Perdi umas 20 fitas VHS com muita coisa bacana. Na verdade ainda guardo algumas no intuito de convertê-las em DVD quando sobrar dinheiro depois de pagar as contas.

Bem, aos poucos os discos e os tocadores de DVD foram barateando e avançando tecnologicamente. Um desses avanços era tocar os arquivos mp3. Daí os tocadores de CD automotivos se tornavam compatíveis com a nova mídia. Sites pululavam na internet disponibilizando, inicialmente, faixas avulsas, pois a velocidade das conexões discadas ainda era muito baixa e as conexões banda larga eram muito, muito caras. Aos poucos foram surgindo sites especializados, programas de compartilhamento (o Napster foi um dos pioneiros).

Vendo esse universo crescer geometricamente (para o início do desespero da indústria fonográfica), um cara chamado Steve Jobs resolveu copiar a idéia de alguém pouco endinheirado de criar um tocador para esses arquivos digitais. Nascia o iPod. Vá lá que eu sei que o Jobs criou pouca coisa realmente, mas ainda o acho um gênio por conseguir ver adiante e criar demandas onde não se imaginava haver. Era um dispositivo bonito, como quase tudo que sai da Apple. Cabiam 2 Gb de arquivos e a interface ainda era monocromática. Mas era uma revolução, não só por atualizar o conceito de portabilidade sonora, mas por conectar um produto ao mundo que não pára de crescer da música na internet.

Em pouco tempo, o iPod tornava-se não somente um ícone para a cultura mundial mas principalmente para o renascimento da Apple que vendia o aparelho feito água. Ano após ano o iPod recebia melhorias. Aumento da memória, aparelhos menores e mais leves, tela colorida, novas funções no sistema operacional. O iPod vem dando crias desde então, primeiro o Mini, depois o Nano, o Vídeo, o Touch (que transformou a geração anterior no modelo Classic) e, finalmente, o iPhone. A convergência entre a telefonia e a música portátil. Até iPod que fala já tem! Ah! E d o iTunes, o tocador de mídias para computadores que gerenciava o iPod, surgiu a iTunes Store, loja que vende música digital para os politicamente corretos.

Todos os fabricantes de eletrônicos desde marcas famosas a outras nunca antes grandes vistas entraram no mercado, tentando tirar uma fatia do bolo da Apple. Dois chegaram a fazer certo burburinho, mas que não passaram de cócegas no iPod: os Walkman da Sony, ressuscitando o termo cunhado para os toca-fitas portáteis da década de 70 e o Zune da Microsoft, que contou com campanha usando a banda brasileira Cansei de Ser Sexy. Flop total. A razão é clara. A Apple estabeleceu um padrão, assim como a Microsoft fez com o Windows (copiado da Apple, é bom que se diga). E também por que a campanha da Apple não tinha banda indie brasileira, tinha o U2.

No momento em que completa 8 anos de seu lançamento, eu faço 8 meses desde que adquiri o meu e entrei pro “clube”. E admito: é outro mundo. É absurda a diferença de qualidade entre tudo que já vi em termos de tocadores digitais. Meu primeiro tocador de mp3 era um fuleirinho de 1 Gb que usei até se acabar. Era ruim de operar, parecia um pen drive. Se não chegava a ser feio sozinho, ao lado de um iPod era horroroso. E a capacidade reduzida fazia com que eu me privasse de ter no tocador os “lados B” dos meus artistas favoritos. Eu tinha que selecionar só o essencial. O lado bom é que era um exercício de resumir o meu gosto musical em 1 Gb. Mas era difícil. Agora posso ter 8 vezes isso num modelo da 4ª geração do Nano. Como gosto de exclusividade, o meu é da série especial (red), mas que com a capa protetora de silicone fosca, fica numa “aviadada” cor de rosa. É o preço a se pagar.

No Brasil esses aparelhinhos ainda são artigo de luxo, pois as taxas de importação encarecem demais os preços e a compra de faixas legalizadas na iTunes Store ainda são caras para se encher um iPod legalmente. Imagine só, uma música a 99 centavos de dólar (R$1,70). Num iPod Nano de 8 Gb cabem umas 5.000 músicas. Cinco mil dólares ou sete mil reais. Esse tem sido o calcanhar de Aquiles do embate da indústria fonográfica versus consumidores. Como fazer com que os usuários comprem por algo que podem ter de graça? Mas isso é outra conversa.

Por hora, feliz aniversário e vida longa ao iPod.

  1. 12 de novembro de 2009 às 3:47 | #1

    Até o presente momento, sou feliz com meu celular Nokia e seus 2GB de espaço pra colocar meus MP3. Tem me quebrado um galhão… :) Um $$$dia$$$, quem sabe, parto pro iPod…

  2. 15 de novembro de 2009 às 20:26 | #2

    entrei pro “clube” em 2005, quando pouca gente sabia o que era ipod por aqui. meu bebê era o extinto ipod mini, prateado, 4gb. fiel companheiro por muito, muito tempo. e ele ainda existe, foi passado de herança pra minha irmã. hoje em dia meu ipod touch (2ª geração) me quebra um mega galho. quando chego em casa a noite, destruída pelo destino, como você bem sabe, fico horas e horas largada na cama navegando a internet por ele. fora as horas de tédio de que ele me poupou em aeroportos e longas viagens de avião, podendo ver filmes, seriados, e fazer uma série de outras coisas. viva o ipod. viva a apple, e viva o steve jobs. yay!

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